domingo, 4 de novembro de 2018
Da dieta da meNina
Se não for para ser doce, não serve.
Dou-me, hoje, o direito de escolher.
Digo não ao que não me adoçar,
Ao que puder amargar, azedar, ferver...
Minguar, murchar o viver.
Por que, a esta altura da história, diferente faria ?
Qual a minha obrigação, agora, senão ouvir, abrir o coração ?!
Moldar-me para agradar o alheio ?
Não me entenda mal.
Não que o outro não conte.
Importa, e bastannnte ! E, aliás, fundamental.
Não pode, entretanto, estabelecer meus valores,
Medidas minhas de marchar, nutrir-me, proceder.
Infância deu adeus, juventude já se foi.
Maturidade traz liberdade extra, de consciência
De ponderar, eleger lugar ao sol
... e órbita de si.
Nada mais a provar pra ninguém,
Dependente apenas de fazer feliz idade,
Quero saber do sabor da afetividade,
Exercitar, açucarar meus temperos
E melhorar a alquimia do amor.
Se não for pra ser doce, não desço,
Passo o ponto do bonde,
Passo ao passo seguinte,
Pulo em outra estação.
Esta é de vitória de recheio sobre cobertura,
De valoração de conteúdo sobre arquitetura.
Foi-se tempo de tomar casca por cartão de visita
Ou ingresso para os shows da vida !
Hoje o jogo é da gente consigo... em primeiro lugar.
De investir em ser para ter o que dar...
E tratar com mais apreço e com mais acerto
O outro... também.
Ou quem ganha é ninguém.
Assim, valorizando o PIB primeiramente,
Para consumo interno e boa exportação,
Ao que não me adoçar digo não.
Apurei o paladar por qualidade de ser.
Desse doce não faço dieta,
Faço questão.